As estrelas sorriem para nós

Abril 7, 2018

Deitada no segundo andar do meu beliche, vejo pela janela os candeeiros do bairro, onde vivem milhares de pessoas caladas e frias, tal como o asfalto que pisam para chegar às portas das suas casas.

E lá vão elas a olhar para o chão frio e cinzento, a observarem os sapatos escolhidos a rigor para aquela ida ao supermercado da esquina, e nem se lembram de que por uns instantes podem olhar para as estrelas que iluminam o céu escuro das noites de Lisboa.

E eu lá vou vendo cada estrela e roubando-a do céu escuro, diretamente para o meu céu branco e vazio, a que alguns chamam de teto. Vou encaixando cada uma até formar a mais bonita das constelações. Passo a passo vou preenchendo o meu céu.

Para quê deixá-las ali a pairar por cima de gente cabisbaixa, que se esquece de olhar para as bonitas e cintilantes estrelas, que já foram por muito tempo a sua luz?

Como dizia o velho e sábio aviador do livro “Principezinho” – mau não é crescer, mau é esquecer. Esquecer aquilo que já foi por muitas vezes o nosso sonho. Esquecer de sorrir para aqueles que nos sorriem sempre, sem pedir qualquer  recompensa. Esquecer o motivo pelo qual cá estamos. Esquecer aquelas brilhantes e lindas estrelas, que nos mantiveram acordados durante noites seguidas, aquelas que consecutivamente tentámos retratar no papel numa cor amarelada e com cinco pontas bicudas.

Já eu, vou continuar a roubá-las do céu diretamente para o meu teto, que cada vez está mais brilhante, sem nunca me esquecer lhes sorrir, pois são elas que fazem brilhar todos os céus.

A irmã da Maria (Matilde Rebelo Pires)

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