Uma pessoa deficiente não tem de ser doente

Outubro 9, 2017
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Precisei de um ano e meio de vida com a Maria para aprender que uma pessoa deficiente não tem de ser doente. Entendi isso depois de algumas operações ao coração, ao estômago, aos olhos, de várias sessões de quimioterapia e só fiz essa ligação porque a Maria nasceu doente. Diria que precisei de começar por ter contacto com a doença, mais do que com a diferença, para descobrir uma verdade tão simples.

Julgo que até então nunca tinha sido capaz de fazer essa distinção e tenho consciência de que mais de noventa por cento das pessoas tem também este preconceito. É comum pensar-se que uma criança deficiente é obrigatoriamente doente, como se uma coisa tivesse de implicar a outra obrigatoriamente. E não é assim.

Hoje em dia, por exemplo, a Maria não é doente: tem uma prótese, tem uns apetrechos no estômago, mas não tem nenhum problema de saúde. Não toma nenhum medicamento e não faz nenhum tratamento. A Maria é uma criança saudável.

É graças à minha filha que percebo como faz sentido falar em deficiência e não em doença. Infelizmente, para a sociedade em geral continua a ser mais fácil acolher um doente do que aceitar um deficiente. E não vale a pena assobiarmos para o lado, como se nada fosse. Todos somos educados para nos ser mais fácil cuidar e estarmos próximos de alguém que esteja mal do que assumirmos que uma pessoa seja diferente. Mesmo que essa deficiência apenas torne estas pessoas especiais em vez de doentes.”

Excerto do livro “A mãe da Maria” | Autora Ana Rebelo

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4 Comentários

  • Responder Maria Virgínia Malheiro Outubro 10, 2017 em 08:31

    É verdade !
    Infelizmente, a deficiência e a doença na mentalidade de muito boa gente, obrigatoriamente têm de andar de braço dado… Quando são muito diferentes!
    Felicito-a por dar a conhecer a muitas pessoas a diferença entre uma situação e outra.
    Bem haja pela Mãe que É! E pela família que tem!
    Grata pelo exemplo. Beijo

    • Responder Ana Rebelo Outubro 10, 2017 em 10:43

      Obrigada Maria. Beijinhos <3

  • Responder a Rocha Outubro 12, 2017 em 16:28

    Tal como já tinha comentado anteriormente, a minha filha tem um deficit cognitivo associado a hiperatividade, a hiperatividade já se foi o deficit vai continuar, e o ensino especial também, mas goza de muita saúde, há nove anos que a adotei e em nove anos nunca fui para as urgências de um hospital, e nunca faltou às aulas por estar doente.
    Vou muitas vezes ao hospital, porque ela tem uma pediatra espectacular, tão espectacular que já lá ando à nove anos em consultas, aliás já disse à pediatra que um dia destes a Diana vai com a namorado às consultas:(

    • Responder Ana Rebelo Outubro 17, 2017 em 23:15

      Ahahaha! É isso mesmo A Rocha, qualquer dia a sua filha arranja um namorado nas consultas ;). Um grande beijinho

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