Sonhei com o mundo ao contrário

Dezembro 7, 2015

Ontem sonhei com um mundo perfeito. Um mundo descomplicado. Em que o mote diário era a boa disposição. Um mundo em que as pessoas davam valor às coisas simples. Que reagiam a tudo o que era bonito. Em que os sorrisos reinavam, o amor sentia-se e principalmente vivia-se sem medos nem receios.

O abraço era o cumprimento de todos. Um dia de chuva, vivia-se da mesma forma que um dia de sol. Em que o valor das pessoas era medido unicamente pela sua capacidade de amar.

Neste mundo de rampas e acessos facilitados, não havia espaço para superficialidades. As preocupações existiam, mas apenas com as necessidades básicas (aquelas de que a nossa sobrevivência depende). Problemas existiam, mas eram encarados com a sua real importância. Vivia-se ao minuto e não massacrados por um passado ou escravizados por um futuro.

Lá não havia espaço para raivas e rancores. As pessoas eram o centro de tudo. A vida rolava ao ritmo de cada um, sem atropelos nem exigências de uma sociedade louca de informação e pressa. Respeitava-se a diferença e premiava-se a diversidade.

Este mundo de onde eu não queria acordar, era um mundo de sonho preparado para nós ditos “normais”, por pessoas deficientes.

Ontem tive a sorte de conseguir passar por lá. Foi apenas pelo tempo de um sonho, mas um sonho tão bom que levei o dia todo a tentar acordar, mas sem (querer) sair, daquele mundo assim – ao contrário!

A Mãe da Maria (Ana Rebelo)

 

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