Sempre que tenho tempo

Junho 26, 2016

Sempre que tenho tempo, gosto de me sentar a ver a vida passar. A vida é tão corrida, que a maioria das vezes não conseguimos perceber o que está à nossa volta. Levantamos-nos a correr, passamos o dia num esforço para que o tempo chegue e num instante estamos de novo a contar as horas que temos para descansar.

Esta luta contra o tempo faz-nos perder coisas tão simples como a capacidade de observar. Sentarmos-nos num canto a espreitar como brincam os nossos filhos é verdadeiramente delicioso. Ou conseguir, no meio do barulho, ouvir pássaros a cantar é genial. Distinguir os barulhos da cidade que, de tão habituados estamos, já nem os escutamos é engraçado.

Às vezes sinto-me programada para ignorar tudo aquilo que sai de mim. Centrada no “eu” de tal forma, que tudo o que está à volta tem de ser desligado para seguir em frente. Mas eu não quero isto para mim. Quero seguir em frente sim, mas com a capacidade de observar tudo o que me rodeia. Quero conseguir crescer e escolher o caminho, sem ser obrigada a ir por um trilho apenas por ser corrido.

Sentada no terraço, enquanto escrevo, observo a Maria a brincar. Neste segundo pousou um melro na vedação. Ela segue o som do seu canto com o olhar. Sorri quando o vê e continua a brincar, mas agora muito mais inspirada. A Maria tem esta capacidade de observar (sempre) tudo o que a rodeia. Já eu, parece que vou ter de aprender com ela.

A mãe da Maria (Ana Rebelo)

 

Também Poderá Gostar

Sem comentários

Deixar Comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.