Rotina fora do comum

Junho 12, 2018
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Hoje marcavam as cinco da tarde no relógio do colégio e eu como sempre, na minha rotina, fui espreitar pelas grades que separam o estacionamento do recreio e para surpresa minha o carro do pai não estava estacionado no lugar de sempre. E num instante, no pequeno intervalo que separa as cinco horas das cinco e cinco, as buzinas começaram a apitar, os pais a gritar para os filhos se despacharem, ou porque o carro estava em segunda fila, ou porque o irmão estava à espera, ou porque simplesmente tinham pressa. Por outro lado as auxiliares começavam a sua correria pelo colégio para encontrar os rebeldes que à mínima distração fogem pela porta principal para mais uma aventura daquelas que fica no moral das memórias.

E eu, que nunca tinha tido a sorte (ou não) de o meu pai se atrasar … sentei-me no chão, perto da porta do jardim de infância e sozinha fiquei a olhar em redor para tudo aquilo que naqueles pequenos instantes, na hora de ponta de um dia banal, de uma escola da cidade de Lisboa acontece.

Enquanto há cinco minutos atrás se ouvia o barulho das folhas das árvores a tocarem umas nas outras, cinco minutos depois ouvem-se gritos, birras, palhaçadas e risos … porque há sempre aqueles que choram desalmadamente porque não querem ir para casa, ou aqueles que se riem à gargalhada a contar o que se passou no recreio à hora de almoço – como o Duarte do 3ºC – ou aqueles que zangados se sentam recusando-se a dar um passo, mas que após alguns minutos, quando se tornam vencedores da birra, acabam por desistir talvez pelo cansaço …

E  pouco a pouco a escola vai esvaziando e essas famílias, de quem eu pouco ou nada sei, partilham agora o seu dia-a-dia. E eu vou olhando com atenção para cada uma delas, porque hoje sem pressas, sem depender de ninguém fico-me pelo chão a olhar para elas, que em modo flecha passam e seguem caminhos diferentes consoantes os seus destinos.

E enquanto para eles é um dia banal, eu no pleno de mim, por aqueles breves momentos tenho a esperança de um dia voltar a vê-las… e de repente chega o pai que estaciona no sítio habitual e num segundo o que se tornou importante passou para plano de fundo!

A irmã da Maria (Matilde Rebelo Pires)

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3 Comentários

  • Responder maria Sá Junho 13, 2018 em 14:21

    Muito boa tarde, mãe corajosa e senhora de uma grande coração. Gostaria de entrar em contacto com a mãe da Maria para uma tertúlia sobre família, crianças grandes que não querem crescer e são como o Peter Pan.

  • Responder maria Sá Junho 13, 2018 em 14:22

    Muito boa tarde, mãe corajosa e senhora de uma grande coração. Gostaria de entrar em contacto com a mãe da Maria para uma tertúlia sobre família, crianças. etc…

    • Responder Ana Rebelo Junho 14, 2018 em 23:55

      Olá Maria Sá,

      Obrigada pelas suas palavras. Mande-me por favor um email para rebelopires@gmail.com com a informação e o seu contacto que enviaremos resposta. Um beijinho.

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