Quando faltarem as palavras use os braços

Fevereiro 3, 2018

Faz parte da natureza humana a falta de perspicácia para interpretar os sinais dos outros. Até mesmo porque os sinais são confusos. Diante de situações dolorosas podemos ficar agressivos e difíceis de conviver. Ou podemos optar pelo isolamento, para diminuir o que dói, interpretar os sentimentos e arranjar saídas. Ainda há aqueles que disfarçam tão bem, mas tão bem, que passam a impressão de serem insensíveis.

De facto o sofrimento é algo extremamente pessoal. Não somos capazes de experimentar as sensações alheias. Podemos, no máximo, imaginá-las. No entanto, temos de respeitá-las. Ainda que imaginemos ter o direito, não devemos julgá-las; não temos a capacidade de avaliar a maneira do outro lidar com as mazelas da vida. O sofrimento do outro é da nossa conta, o que ele faz com ele não. Mas, como somos criaturas estranhas, fazemos tudo ao contrário: não movemos uma palha para atenuar a dor e ainda achamos que podemos opinar.

O sofrimento é extremamente complexo. Muitas vezes, não conseguimos dizer o que sentimos, até as lágrimas nos abandonam de tão seca que está a alma. Viramos desertos, repletos de dunas mutantes a representar as nossas ondulações de humor.

Mas quem está a sofrer, não precisa de palavras mas sim de algo mais concreto. É difícil encontrar o que dizer quando o outro parece estar mergulhado num oceano de tristeza ali à nossa frente.

Então, quando faltarem as palavras, use os braços. Aninhe, acolha, proteja, sirva de colo ou de escudo. Não há dor que não possa ser aliviada. Não há sofrimento que ignore a força de um afeto generoso e sincero. Ofereça sempre o que tem de melhor, a sua capacidade de diluir tristezas através de um longo abraço.

Fonte Contioutra.com | Adaptação do texto “Quando faltarem palavras, use os braços”

 

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1 Comentário

  • Responder Quando faltarem as palavras use os braços - Baby Blogs Portugal Fevereiro 3, 2018 em 02:19

    […] De facto o sofrimento é algo extremamente pessoal. Não somos capazes de experimentar as sensações alheias. Podemos, no máximo, imaginá-las. No entanto, temos de respeitá-las. Ainda que imaginemos ter o direito, não devemos julgá-las; não … Ver artigo completo no Blog […]

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