Perguntei ao tempo se ele ainda espera por ti. O tempo disse que não espera, por quem já não está aqui.

Abril 3, 2019

Dizias que voavas 
Como a estrela cadente
Que procurávamos no céu escuro
Daquela noite descontente. 

Contavas-me em sussurro 
O tamanho das tuas asas 
Vivemos um conto de fadas 
Ao rumo das tuas palavras
Viajando por histórias inacabadas
À espera de um final feliz. 

Deixa-me viver outra vez 
Todas as madrugadas 
Quando por entre as falhas dos cortinados 
Os passarinhos cantavam 
E nós diante a sua melodia 
Mergulhávamos em grandes gargalhadas.

Quando víamos o sol a nascer
E tu explicavas como a noite se tornava dia
Quando me tocavas com a tua mão macia
E dizias que eu estava a crescer 
Como uma bonita flor do teu jardim
Que florescia de entre amor sem fim. 

Deixa-me voltar a esse mundo 
Empurro a porta do fundo 
Já se ouvia o dia renascer 
Tu não estavas como habitual 
Começava a correr. 

O escuro metia medo 
Tu dizias que ele não fazia mal
Mas sem julgar tu guardavas em segredo 
Todas as conversas sem enredo. 

Dexia as escadas em bicos de pés 
E lá estavas tu, como sorrias 
De olhos arregalados, bom dia! 

De entre embaraços 
Deixa-me voltar a esse abraço 
Eu ficaria por eternos momentos 
Apenas aí sem qualquer constrangimento 
Sem horas sem tempo 
O culpado pela mudança de ventos.

Hoje eu perguntei ao tempo 
Se ele ainda espera por ti
O tempo disse que não espera
Por quem já não está aqui.

Mas eu ainda te sinto em mim
Em cada toque em cada sentimento sem fim
Cada memória que me fez crescer 
E eu que cresci a ouvir a tua voz  
Que me deliciava diante o teu orgulho 
E que me ralhava e fazia aprender 
Que na vida não sou eu, somos nós. 

Tu construiste tanto do que sou 
Olho para frente e não sei onde estou 
Era mais um dia normal
Em que jogávamos às escondidas 
Eu estou cá… No local habitual.

Diz-me que não estás perdida 
Dá-me uma pista…
Procuro por ti… Estás onde 
Por vezes quem se esconde 
Prefere o silêncio e eu compreendo 
Só espero ver-te novamente 
E Encontrar-te no jardim a saborear o sol
Tal qual um bonito e brilhante girassol 

Eu procuro-te nesse véu
De neblina dourado 
Tu Ganhaste o céu 
onde os melhores são relembrados 
Até sempre girassol iluminado…

A irmã da Maria (Matilde Rebelo Pires)

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