Parabéns meu amor! 6939 dias…a ensinar-nos o verdadeiro valor da vida.

Dezembro 16, 2018

Parabéns meu amor! 6939 dias a ensinar o verdadeiro valor da vida, a todos aqueles que se cruzam contigo!

Tiraram-ma quando nasceu, levaram-na sem a ver, ouvir ou sentir. A Maria iria viver 48 horas – era melhor não criar laços, disseram-me. Conheci-a por fotografia, mas quando finalmente entrei nos Cuidados Intensivos e me aproximei da incubadora:

“(…) Era tão pequenina, meu Deus. As lágrimas rolavam de tal forma que não conseguia vê-la, não era capaz de controlar onde caíam, não conseguia nada. Olhei para as suas mãos e, instintivamente, pus a minha dentro da incubadora. Assim que lhe toquei, apertou-me o dedo. Ela reagiu e isso surpreendeu-me. Foi um gesto tão delicado e carinhoso, tão confiante e expressivo, que senti um conforto extraordinário.

É difícil explicar como, mas senti que existia força do lado dela. Talvez esse sentimento fosse o amor que se sente por um filho na sua intensidade máxima, extremado pela perspectiva de que podia terminar a qualquer segundo. As dores das costuras eram desagradáveis e as pernas começaram a trair-me de tal forma que me vi obrigada a sentar. Nessa altura, a enfermeira foi desligando todos os fios, colocou a Maria no meu colo, e voltou a ligar tudo de novo. Tínhamos conseguido, fora demorado, mas finalmente a Maria tinha chegado à minha vida.

Guardo esses primeiros momentos como instantes muito felizes, um bocadinho só nosso em que não consegui dizer ou pensar em nada. O tempo parou. Em alturas como estas, há coisas que são ditas e outras que, por serem sonhadas, ficam guardadas no coração. Sei que estive com ela por inteiro e isso foi o mais importante.

Tive-a nos meus braços durante muito pouco tempo porque, entretanto, as máquinas começaram todas a apitar. Não me importei, viesse o que viesse, aquele tinha sido o nosso momento. Já lhe tocara, já a cheirara, já a conhecera. Já sabia quem era a minha filha. E mesmo correndo o risco de tudo durar somente umas horas, eu tinha escolhido estar ali e criar aquele laço tão arriscado.”

Fonte Livro “A mãe da Maria” (Ana Rebelo)

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