O Estado que deveria amparar famílias e escolas

Dezembro 8, 2017
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As escolas estão desamparadas e despreparadas para receber crianças especiais. Os pais estão na condição de órfãos de educação para os seus filhos. Eu, na condição de mãe de uma criança deficiente, também muitas vezes me encontro à deriva num oceano de dúvidas e incompetências!

O Estado que deveria amparar famílias e escolas, simplesmente age como a figura dos três macaquinhos… “Nada vejo, nada ouço e nada falo!” E assim caminha a nossa educação que eles apelidam de especial!

Um dia, acreditei que teríamos um mundo melhor para os nossos filhos ao ver a evolução tecnológica com que o mundo se depara, mas isto não é real nos lares de muitas crianças portuguesas que nasceram diferentes das outras. O que dizer aos meus filhos que não têm nenhuma deficiência quando me questionam o porquê destas crianças não estarem com eles nas salas de aulas. E eles, ainda completam: “Mas mãe não há problema nenhum com a diferença. Cada um é como cada qual!!!!”

Sinto-me envergonhada quando observo pais numa busca incessante por educação para os seus filhos deficientes em pleno século XXI. Sim, ENVERGONHADA! Mas chegou a hora de levantarmos a nossa bandeira! Mãos à obra e vamos à luta.

Vou à lutar porque acredito no ser humano, na diversidade e na sua capacidade de AMAR! E arrisco dizer que ser mãe de uma criança com deficiência não nos torna nem melhores nem piores do que os outros, mas confesso que dentro de nós há uma força imensa chamada AMOR e esta ninguém pode segurar!

A mãe da Maria (Ana Rebelo)

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10 Comentários

  • Responder O Estado que deveria amparar famílias e escolas - Baby Blogs Portugal Dezembro 9, 2017 em 01:19

    […] Um dia, acreditei que teríamos um mundo melhor para os nossos filhos ao ver a evolução tecnológica com que o mundo se depara, … Ver artigo completo no Blog […]

  • Responder Ana Marques Dezembro 9, 2017 em 11:30

    Sinto o mesmo…Sem Dúvida a nível de Educação a Inclusão não existe no verdadeiro significado… Vamos lá mangas arregaçadas

    • Responder Ana Rebelo Dezembro 10, 2017 em 22:05

      Vamos lá Ana 😉 . Beijinhos e obrigada

  • Responder Isabel Amaral Dezembro 9, 2017 em 20:50

    Olá, este texto tocou me particularmente, sendo mãe de um jovem com deficiência, passei por tudo isso. Mas devo dizer que o pior foi quando ele terminou a escolaridade obrigatória. Na escola foi as dificuldades habituais, o meu filho estava inserido numa turma dita normal, e tinha aulas de educação especial. As dificuldades eram nas horas em que tinha as aulas com a turma, os professores, que eram todos muito atenciosos com o meu filho, não sabiam o que fazer com ele, não conseguindo acompanhar a matéria dada ele ficava muito desmotivado. Quando a escola terminou para mim foi uma fase terrível, todas as portas se fechavam, fui a varios sítios, pedi informações, procurei e desesperei. Chegaram a dizer me, com a deficiência do seu filho dificilmente arranja alguma coisa. Senti me muito discriminada ou melhor discriminaram o meu filho, estávamos sós. Era como se me dissessem o problema é teu. Bom depois da tempestade vem a bonança.. Hoje o Nuno está no museu etnográfico de Valega onde faz alguns trabalhos, como cortar ervas para as infusões que lá vendem, mas sobretudo aprendeu a fazer tear antigo e hoje é um tecelão. Está feliz e adora passar as tardes no museu onde todos o adoram. Mas o estado falhou e falha com muitos jovens que sendo portadores de deficiência, desejam muito que lhes dêem oportunidade de serem felizes e realizados, e isso começa na escola, nao basta ensinar a ler e a escrever é preciso muito mais. Peço desculpa por me alongar tanto, mas há muito mais a dizer. Boa sorte, oxalá consiga mudar algumas coisas.

    • Responder Ana Rebelo Dezembro 10, 2017 em 22:06

      Que bom Isabel. Beijinhos para si e para o Nuno 😉

  • Responder Maria Dezembro 10, 2017 em 17:20

    Mãe da Maria, vai-me desculpar mas como professora não concordo com tudo o que escreveu. Quando um dos seus filhos diz que não há nenhum problema com a diferença infelizmente não é verdade. Essas crianças necessitam de uma maior dose de atenção e de paciência devido aos problemas de saúde que têm. Quando nos dão turmas de 28 alunos como é que temos tempo para alguém que “exige” uma atenção especial? Além de que mais de 90% dos professores não tem qualquer tipo de formação para lidar com as crianças “especiais”. Eu quando tenho meninos “especiais” ajo com mãe e penso que se tivesse um filho deficiente como é que gostaria de o ver tratado. Não tenho qualquer formação para trabalhar com crianças “especiais”, sou engenheira de formação e professora de coração. As professoras do ensino especial na sua maioria são colegas que têm horário zero nas suas disciplinas e fazem uma formaçãozinha de meia dúzia de horas e voilà, ficam habilitadas a trabalharem com crianças especiais. Claro que isto não invalida que se lute por uma escola inclusiva e que estas crianças tenham os seus direitos assegurados. Claro que o Estado funciona como os 3 macacos, mas infelizmente, funciona assim para quase tudo.
    Uma criança “especial” vale por 4 das crianças “normais”. No entanto a maior parte da escola passa “por cima” dessa lei e temos 2 a 3 meninos “especiais” e turmas de 28 a 30 alunos! Investir na formação é urgente, criar na realidade turmas mais pequenas para se poder trabalhar com esses meninos, é urgente. Agora, e mais uma vez, peço desculpa: as crianças “especiais” necessitam de cuidados especiais, senão não teriam esse direito. Concorda comigo?

    • Responder Ana Rebelo Dezembro 10, 2017 em 23:21

      Olá Maria, muito obrigada pelo seu comentário. Concordo em parte, mas noutra não. Tal como a Maria é Engenheira de formação e professora de coração, eu sou comunicóloga de formação, gestora de profissão e mãe de coração. Não tenho nenhum cursos de formação em deficiência, nem na área de saúde. Nem eu nem os meus outros filhos, que todos os dias ensinam a Maria de uma forma extraordinária.
      Tenho 3 filhos e não 7, sei que a Maria me dá trabalho, mas todos dão. A única questão que me faz questionar que a Maria vale por 4, são as avultadas contas que temos que assumir mensalmente e que o Estado ignora…
      Percebo muito bem a sua posição e as dificuldades que os professores passam no seu dia-a-dia, pois tal como eu muitos não foram apresentados à deficiência durante o crescimento e só isso impede-nos de fazer as coisas intuitivamente.
      No texto que escrevo não falo de professores, mas sim do Estado que olha para as crianças deficientes como números, depois inventa umas matrizes de cálculo e atribui 1/2 hora de agenda de um professor de ensino especial e acha que tudo fica resolvido. Passa-os em anos corridos para fazer brilhar as suas folhas de escolaridade obrigatória e esconder o problema. Sabe que a minha filha Maria está no 8º ano? Isto é lógico? Ou é para despachar e entregar aos pais? O estado português comporta-se de forma esquizofrénica e não olha para as questões com olhos de resolver. Com a quantidade de professores que estão no desemprego não é preciso haver turmas de 28 ou 30 alunos….podem perfeitamente abrir mais turmas ainda por cima quando há escolas espalhadas pelo país que têm salas de aula vazias. Mas sabe o que mais me incomoda, é que o Estado são pessoas, o sistema (de que tanto se fala) são as pessoas que o fazem e isso sim revolta! Pois qualquer um que tenha conhecimento de causa e um pouco de bom senso, pode fazer a diferença na vida da sociedade… a inclusão não é só benéfica para os incluídos, acredito que até pode ser muito mais importante para os inclusores!
      Mais uma vez obrigada! Um beijinho

  • Responder Dias Maria Paula Dezembro 10, 2017 em 18:21

    Quero dar-lhe os parabéns pelo maravilhoso blog que tem .
    Subscrevo tudo o que disse.
    Beijinhos e um especial à fantástica filha que tem a Maria.

    • Responder Ana Rebelo Dezembro 10, 2017 em 22:07

      Obrigada Paula. Beijinhos 😉

  • Responder Maria Dezembro 11, 2017 em 12:30

    Bom dia, mãe da Maria
    concordo com a resposta que me deu e que em parte me vem dar razão. Acha que basta meia hora de ensino especial para uma criança “especial”? Claro que não! Ainda hoje estive com o meu menino especial, que está no nono ano, e que tem dificuldades ao nível do 1º ciclo. Estava outra menina com uma colega minha, e a minha colega estava pura e simplesmente a dar-lhe todas as respostas. Logicamente quando a menina for entregar este trabalho à professora titular da disciplina vai ter uma nota e pêras! É fidedigno? Claro que não. Temos aqui na escola crianças no sétimo, oitavo e nono ano que não sabem escrever! Como é que isto é possível? Eu respondo: os nossos (des)governantes têm dinheiro suficiente para escolas especiais, colégios e afins. Logo, não têm que se preocupara com a população. Nos relatórios, escreve-se o que dá jeito. Não posso de maneira nenhuma concordar com isto. Quando questionei a minha colega como é que este menino tinha chegado ao nono ano sem saber ler nem escrever, a resposta foi- “Ele tem 17 anos, não querias que ele estivesse no jardim infantil, pois não”?
    Apoio a 100% a luta dos pais pela inclusão das suas crianças, se puder ajudar em algo é só dizer.

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