Mães de crianças com deficiência

Maio 4, 2018

Com o dia da Mãe a chegar, estava aqui a pensar como várias coisas são tão mais difíceis para as mães de crianças com deficiência.

Muitas vezes ouvimos mães de crianças mais mexidas, ou rebeldes, dizer coisas como “mas eu também não sei como vai ser o futuro do meu filho”, “eu também tenho várias angústias”. Sim, faz todo o sentido! Mas, mesmo assim, devo-vos dizer que o nosso caminho é bem diferente.

Ora leiam algumas das dificuldades que as mães de crianças com deficiência me vão relatando:

– As mulheres, em geral, têm essa coisa chamada de “instinto maternal”. Isso faz com que queiramos proteger não só os filhos, mas toda a gente de quem gostamos. Portando, cada vez que vemos algum familiar direto ou amigo a chorar ou desesperar, sentimos um ímpeto de engolir o nosso próprio choro e abafar os sentimentos para que aquela pessoa também se possa apoiar em nós. E isto não é nem um pouco fácil.

– Temos que lutar diariamente com a culpa. Bolas, como temos culpa por não conseguirmos mudar o mundo!

– Muitas mães optam por parar de trabalhar. Abrem mão da satisfação profissional (e de uma certa folga financeira) para poderem assistir os filhos mais de perto. As que não podem fazer isso – porque, como eu, precisam pôr dinheiro em casa – sentem culpa.

– E esticamos o dinheiro daqui, dali, tudo para poder pagar as terapias e intervenções que consideramos importantes. Porque, afinal de contas, o Estado não dá nenhum tratamento decente de graça e os seguros de saúde, para crianças deficientes não existem.

– Sabemos que praticamente nenhuma escola está preparada para lidar com crianças deficientes. Por isso, muitas mães se capacitam, capacitam as tutoras escolares dos filhos, as professoras e ainda adaptam, por conta própria, todo o material didático dos filhos.

– Lidamos com uma incerteza terrível: quem vai cuidar ou olhar pelos nossos filhos quando não estivermos mais aqui? O que fazer? Qual a melhor forma de garantir o futuro financeiro do filho?

– Temos que lidar com a própria incapacidade de entender os desejos dos nossos filhos, saber brincar apropriadamente com eles, ser mãe e terapeuta ao mesmo tempo.

E, enquanto isso, a vida não pára… Também temos os outros problemas que toda a gente tem.

Não é fácil, mas lembro-me sempre desta frase: “Não queira uma vida mais fácil. Queira ser melhor”.  E é aí que me fortaleço! E, daí, podem vir leões, elefantes, um King Kong: extermino todos! E vocês?

A mãe da Maria (Ana Rebelo)

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