Lembro-me de tudo ou quase tudo

Agosto 1, 2018
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Lembro-me de tudo ou quase tudo. Do silêncio da casa até ao meio-dia, da hora de ponta onde se faziam maratonas do quarto para cozinha, da cozinha para a sala, da sala para o quarto, com pequenas paragens na piscina que atinge o seu ponto mais alto de temperatura por volta da uma.

Lembro-me de coisas que comíamos, como sandes de atum embrulhadas em prata (a receita perfeita para dias de praia). Lembro-me do toldo da linha da frente, com vista para o mar, que a pouco e pouco ía ficando sem espaço, à medida que cada um punha a sua mala e colocava a toalha na periferia daquela palhinha das praias do Algarvias.

Lembro-me das bolas de berlim que construíamos com areia molhada. Lembro-me de procurarmos a maior e mais bela toalha, para de repente passar a passadeira do grande desfile de moda – o mais esperado por esta altura de verão.

Lembro-me, pelas cinco e meia, do cheirinho inesquecível que se fazia sentir naquele toldo onde poucas eram as pessoas que resistiam à bola de berlim. Lembro-me das mil e uma vezes em que se ouvia gritar “uno” seguido de umas quantas risadas. Lembro-me de todos os jogos da carica que ganhei e festejei como se me tivesse saído o euromilhões. Lembro-me de todos os castelos de areia que construíamos na esperança que a água não desmornasse o trabalho árduo, que nos ocupava mais de uma hora de escavações e construções, feito com os baldes e pás que comprávamos naquela loja junto à praia.

Lembro-me de todas as vezes que ri até chorar nos jogos de cartas que perdi, das lutas dentro de água que envolviam grandes quantidades de água salgada nos olhos e algas no cabelo, dos jogos de volei que duravam horas. Lembro-me de sermos os ultimos a sair da praia, só para ver o pôr do sol. Lembro-me das jantaradas que entravam pela noite dentro, das idas à piscina nocturnas e o quanto o escuro e as estrelas a tornavam ainda mais fascinante.

Lembro-me dos “chapões” monunentais que aconteciam naquele fim de tarde com o escorrega diretamente ligado à piscina e meia dúzia de gente que esperava ansiosamente pela sua vez. Lembro-me das pranchas de bodybord que levávamos debaixo do braço nos dias em que o mar estava perfeito para uma batalha de carreirinhas.

Lembro-me das caminhadas pelas dunas, em que nos sentiamos uma verdadeira tribo à descoberta de aventuras.. ou de um novo pico no pé para juntar à coleção. Lembro-me de todas as pulseiras que fazíamos e de todas as bancas que improvisávamos: uma toalha, etiquetas a dizer o preço, e o melhor sorriso que encontravámos para conquistar os que por lá passavam e com alguma sorte arranjar dinheiro para os gelados.

Lembro-me do nervoso miudinho na fila de espera para cada diversão, naquele parque aquático onde já temos tantas memórias. Lembro-me das quedas mais engraçadas da banana (a diversão mais gritante do mar português em pleno mês de agosto) e de todas as gargalhadas que ainda damos quando nos relembramos delas.

Sim, lembro-me de tudo…ou quase tudo. Mas por mais que relembrar histórias do passado seja algo que me faz dar gargalhadas, o mais importante não é lembrá-las é vivê-las!!!

A irmã da Maria (Matilde Rebelo Pires)

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1 Comentário

  • Responder Monica Agosto 3, 2018 em 00:24

    E que bom é ler este texto e lembrar que assisti e assisto a tantos destes episódios.
    Tão bom ver-vos crescer!
    Continuem sempre a ser amigos assim!

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