Lamento muito!

Julho 24, 2018

2015. Junho. Escrevia eu à mãe da Maria a agradecer e a memorizar pequena faceta da minha Maria. A Maria da Ana estava a começar a comer sozinha: tinha 15 anos. Um dos melhores momentos que me acompanha e que passo a vida a contar.

A minha resposta foi:

“- Ehhh pá…! Que chatice”

“- não…não percebes? É maravilhoso!!” – respondeu a Ana.

Depois entendi e até houve muita vergonha de não ter percebido de imediato.

E é só isto: percepção e sensibilidade! Ambas para existirem requerem contacto, convívio, comunidade.

As ínfimas oportunidades dos especiais nascem na porta da nossa casa, mas continuam nos braços dos outros…todos. Sem excepção. O que implica que a porta de entrada dos outros também tem de estar aberta. Muitas vezes não está! E aí, é mesmo assunto de educação.

Começará sempre nos Pais, que cansados procuram vidas perfeitas ao fim do dia. (E agora continuo sem precisar de qualquer deficiência latente). Se o outro miúdo até já é tão diferente, poucos amigos tem e se comporta mal na escola,  de que vale o esforço de reflectirem em família que se trata sempre e primeiramente de uma criança?

Valeria para todos, mas assim fica-se só pelo chão – esforço espezinhado esse que vai ganhar forma e se chamar de desrespeito pelo próximo. Sendo que o próximo a chegar somos todos Nós! Outra vez. Sem excepção ou deficiência.

2018. Julho. Hoje. Às crianças, essas e todas: Lamento muito!

Verónica Carvalho (A mãe da Maria pequenina)

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1 Comentário

  • Responder Isabel Salazar Novembro 8, 2019 em 20:01

    Fiquei a ler horas e horas os seus testemunhos depois de pôr acaso esbarrar num texto colocado no face de uma amiga minha
    Porque é que Deus escolhe determinadas mães para terem filhos deficientes
    Actualmente sou mãe de dois filhos de 40 e 41 anos de idade-homens-
    Um deles é cego de nascença
    O tema inclusão é como pode calcular importantíssimo para nós.
    Ele tem trabalhado desde os 25 anos sempre,
    Após um transplante renal
    Contudo está de momento no desemprego
    Resolveu dirigir-se directamente a variadíssimas empresas com o seu computador e linha braille para falar com alguém dis Recursos Humanos e mostrar como um cego trabalha
    O que de momento revolta é a maioria das empresas apreguar a INCLUSÃO fazerem acções internas de Sensibilização… Mas não abrirem vagas….
    NÃO quero deixar de referir que ao ler o tal texto de autor desconhecido mas que está na sua página sobre mães de deficientes que me identifiquei particularmente com a veracidade do texto
    Temos de saber…. nem sei como… Mas sim as nossas vidas ao mesmo tempo… Porque senão não seremos capazes de abarcar a “tarefa” que nos foi destinada-ter um filho diferente.
    Parabéns pelo seu site e um beijo

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