Integração ou Inclusão?

Julho 15, 2015

“Posso pedir-lhe para usar sempre inclusão em vez de integração?”. Para mim, habituada às palavras, estas duas eram sinónimo e a utilização de uma ou de outra servia apenas para evitar a repetição e tornar o texto mais coeso. Mas para A Mãe da Maria, que vive esta realidade todos os dias, os termos têm significados muito diversos: “Ainda vou fazer um desenho a explicar as diferenças”. E fez.

Integração – As pessoas deficientes (e, desculpem, mas isto de utilizar a expressão politicamente correcta dá uma trabalheira e não ajuda em nada, porque não divido o mundo em indivíduos portadores de deficiência e em indivíduos não portadores de deficiência), têm de se adequar à sociedade dominante, às suas regras. Existe um modelo e, quando a pessoa diferente não consegue acompanhá-lo, criam-se núcleos específicos só para essas pessoas – tantas vezes com necessidades muitíssimo distintas entre si.

Inclusão – A sociedade assume que cada pessoa tem as suas necessidades próprias, muito mais se tem características especiais, como é o caso dos deficientes (independentemente do tipo ou grau de deficiência, motora ou cognitiva). Recebe-os e adequa-se a cada um, evoluindo sempre para o bem-estar de todos. Não olha de forma diferente para ninguém, sabendo à partida que é na diversidade que está a riqueza. Aqui, o esforço é feito por todos os cidadãos, com e sem deficiência.

Inclusão integração A mae da mariaA inclusão social é um direito e um dever de todos nós, como disse Bagão Félix. Numa família, ninguém tirou o curso de mãe de deficiente ou de irmão mais novo de deficiente, mas tudo funciona. Porque se adaptaram. Integrar é encaixar à força, por isso, condenar à exclusão. É como querer obrigar um paralítico a andar ou um cego a ver.

Incluir é envolver, é tornar nosso.

Se pudesse optar por um modelo – e pode – qual seria a sua escolha?

Por Isabel Tavares

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4 Comentários

  • Responder Mónica Rebelo Julho 17, 2015 em 23:21

    O modelo a adoptar. idealmente, será a inclusão. No entanto, um longo caminho temos pela frente com mudança de estruturas de base da sociedade em que todos nos inserimos.
    Com pequenos exemplos do dia a dia percebemos que a inclusão implica mudanças enormes.
    Quantos meninos ou adultos com necessidades especiais encontramos quando entramos na escola dos nossos filhos, vamos ao café, à praia, ao cinema, a um jardim, a um restaurante, comprar roupa, comida…?
    Pois é, não é porque seja proibido ou não tenham vaga para eles.
    Sim, é porque não há acessos, não há espaço suficiente para passar, não há uma série de condições.
    Daí a integração ser o modelo em curso e que tem vindo a ser melhorado.
    Vamos tentar melhorar sempre e este espaço deve ser usado para partilhar experiências, dar dicas para as famílias destas pessoas poderem atrever-se mais!
    Bom FDS para todos.

    • Responder Ana Rebelo Julho 23, 2015 em 12:39

      É isso Mónica :). Obrigada um grande beijinho

  • Responder Marcie Julho 26, 2015 em 18:26

    Inclusão não é incluir uma adolescente de 15 anos numa sala de pré escolar. Inclusão é aceitar a idade cronológica de cada um e fornecer-lhe atividades de acordo com a sua idade mental, de acordo com o Programa Educativo Individual e com o seu Curriculo Especifico Individual. Incluir não é infantilizar. E não é isso que o decreto lei 3/2008 de 7 de janeiro defende.

    • Responder Ana Rebelo Julho 26, 2015 em 23:33

      Olá Marcie, obrigada pelo seu comentário. A Maria é realmente uma adolescente de 15 anos, sendo que na sua individualidade (como todos a temos) tem tamanho de 5 anos (altura) e uma “cabeça” de 3 anos. Por isso estar numa sala de 5 anos, não é de todo infantilizar, bem pelo contrário é puxar por ela…lá está inclusão é aceitar cada um como é, dentro das suas especificidades!..O currículo específico individual da Maria é trabalhado tal como o previsto em lei. :). Bjs

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