Gostava eu

Outubro 29, 2017
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Os três sentados à minha frente e eu aqui deliciada a pensar nos “pedacinhos”, de cada um deles, que gostava eu de ser ou ter.

Gostava eu de ser pura de sentimentos como a Maria. De ser tão forte e lutadora. De ter a sua sensatez, a sua forma tão própria de agir e tocar os outros, diretamente no coração. Ter o seu dom para partilhar amor e carinho. De dar abraços que ficam timbrados no corpo de quem os recebe. De ser tão inspiradora como unificadora. De ensinar o verdadeiro sentido da vida, sem que para isso tenha de dizer uma só palavra. De saber viver ao segundo. De ter sempre um sorriso para oferecer e de ser feliz, apenas e só, porque sim!

Gostava eu de ser como o Tomás, de ter aquele coração enorme onde tudo cabe menos a tristeza. Ter sempre a solução antes do problema. Não questionar nada (nem mesmo a morte), e que muitas vezes me tira o tapete ensinando-me que tudo é simples – ‘é a vida mãe’. Que demonstra sempre, sem os receios próprios de um adolescente, o orgulho e o amor que sente pelos seus. Que nos ensina que os ressentimentos são para os fracos e que não há tempo para frustrações. E que adora falar porque falar limpa a alma e acalma a cabeça.

Gostava eu de ser como a Matilde. Uma menina tão sonhadora como racional. Que não necessita de regras, pois impõe-nas a si própria. Que tem uma sensibilidade que esconde de tudo e de todos (a sete chaves), mas que não só se sente como se respira. Que luta pela perfeição e estabelece os seus objetivos, em pequeninos bilhetes, que decora com flores e corações. Que não tolera ver alguém ser injusto, mau ou cruel. Que é incapaz de ver alguém verter uma lágrima, sem juntar uma das suas para confortar. Que guarda o que sofre para não fazer sofrer e que na sua poética deixa recados na mesa de cabeceira, que enchem o coração de alegria a quem os lê logo pela manhã.

Gostava eu de agora adormecer… e acordar amanhã com cada um destes ‘pedacinhos’, bem cravados no meu ser!

A mãe da Maria (Ana Rebelo)

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4 Comentários

  • Responder Teresa Queiroz de Barros Maio 14, 2016 em 17:57

    Querida Ana

    Obrigada por este texto maravilhoso e tão maternal. Ao lê-lo fico ainda com mais saudades dos abraços da Maria nas nossas aulas de Danza e da sua energia sorridente, amorosa e sempre alegre – algo que os seus filhos aprenderam bem desta mãe que por sua vez parende com os seus filhos.
    Eu aprendo com os meus dois a cada passo.
    Com um, a prática da amizade sempre presente com todos os que o redeiam, a compreensão daquilo que não é descortinável com facilidade, a sensação de uma ligação cujo tempo não nem começo nem fim. A justiça.Fazendo-se presente quando é preciso e sempre que acha que a sua presença pode trazer algo de necessário.
    Com a outra, a inteligência aplicada na cura dos outros. A dedicação que vem do coração. O nunca desistir mesmo quando o sistema é injusto, com um objectivo taçado desde menina – cuidar e curar. A amizade incondicional e a humildade.

    Isto entre outras coisas poisas mães podem encher páginas com louvores aos seus meninos, mesmo quando estes já são adultos. Aprendo muito com qualquer um dos dois e sempre penso que são muito melhores do que eu :)
    Querida Ana um abraço para ti e outro para a Maria e obrigada pelo oportunidade de pertilhar um pouco deste orgulho de mãe…

    • Responder Ana Rebelo Maio 14, 2016 em 21:24

      Querida Teresa,

      Que saudades :) Muito obrigada pela partilha que me emocionou. Realmente os nossos filhos estão sempre a puxar por nós…e conseguem. Um enorme beijinho e foi muito bom lê-la por aqui.

  • Responder Laura Azevedo Novembro 1, 2017 em 16:38

    Que palavras tão lindas, Ana.

    Aterrei aqui no blog por causa das votações dos Blogs do Ano e vou seguir mais de perto.

    Obrigada pela partilha.

    • Responder Ana Rebelo Novembro 1, 2017 em 22:14

      Obrigada Laura. Bjs

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