Falta entrega

Junho 25, 2017

Infelizmente, o que nos está a faltar não é distribuir proximidades. Até tentamos ser mais gentis, carinhosos e receptivos, com quem está perto, mas na primeira contrariedade tiramos o “time de campo”. Não sei quando foi que passámos a economizarmo-nos, mas seria tão bom que nos entregássemos mais do que pedimos em troca.

Evitamos muito e somos pouco, esse é o problema. Onde está o sentir de perto, sem armaduras, qualquer coisa que  o outro tenha para demonstrar de bom?

Não é só saber aproveitar o carinho e os momentos divididos em dias alegres. É, com o pacote completo, entender problemas, tristezas e ansiedades de quem faz parte da nossa vida. É passar mais tempo a estar e não a fugir. Não é fraqueza assumir que precisamos e, certamente, não é covardia desejar novas permissões.

Afetos são pontes emocionais criadas com a intenção de nos tornar mais humanos. Mas somente quando os entregamos, por amor próprio, é que sentimos o quanto é especial.

Chega de termos medo. Chega de acolhermos distâncias em vez de encurtá-las. O que nos falta é viver no presente. Quem sabe, assim, os afetos deixam de ser apenas palavras e as entregas não terminam guardadas num canto solitário, à espera que alguém chame por elas!

Fonte www.contioutra.com | adaptação do texto “O que falta na gente não é afecto, mas entrega”

 

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1 Comentário

  • Responder Ana Filipa Matos Silva Oliveira Junho 26, 2017 em 14:43

    Estamos a tornarmos robots, quando os robots se estão a tornar pessoas. Li algo assim… e é por isso que cada vez mais temos menos de afectuosos.

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