Dúvidas e certezas

Agosto 29, 2018

Desconfio de pessoas que têm sempre a certeza de tudo, que não hesitam em momento algum e querem sempre fazer parecer estar um passo à frente. Nada contra, mas talvez tanta convicção deixe passar alguns raios de loucura essenciais para a vida.

Aquele que não hesita frente a um momento decisivo, não me representa. Pessoas assim costumam fechar-se a qualquer coisa que vá contra o seu plano, tornam-se duras feitas de pedra, esquecendo o ditado essencial que nos diz que água mole em pedra dura… vocês sabem o resto.

Hoje, quero. Amanhã, também. Depois, quem sabe? Não se trata de ser volúvel, mas de assumir que somos inconstantes como as marés. Prefiro a flexibilidade da dúvida à rigidez das certezas.

Quero poder hesitar entre pedir carne ou peixe, entre cinema francês ou inglês, entre bolachas e biscoitos.

A certeza pode representar fraqueza quando acompanhada do orgulho que impede o capitão de abandonar o navio. Mas se a dúvida é um vício, deveria ser considerado o mais benéfico deles. A dúvida é como o bambu, forte e adaptável às intempéries do tempo, enquanto a certeza é o rude carvalho a ser abatido pelas tempestades interiores.

É tão bonito o sim quanto o não, mesmo que sejam para a mesma coisa em momentos diferentes.

Não estou a dizer que todos devemos ser interrogações; apenas lembro que reticências são tão importantes na vida quanto os pontos finais.

A mãe da Maria (Ana Rebelo)

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1 Comentário

  • Responder Monica Setembro 9, 2017 em 16:46

    Eu acho que a dúvida prevalece.
    É a minha opinião.
    Certeza só há uma.

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