Da razão à emoção

Fevereiro 16, 2016

Sempre me agarrei à “razão” e foi ela, acima de tudo, que me orientou nos grandes desafios que já ultrapassámos juntas. Mas não sei explicar porquê, um dia a “emoção” entrou e mostrou-me que veio para ficar. Ontem enquanto organizava os ficheiros no meu portátil, descobri este texto antigo. Como acredito que nada acontece por acaso, partilho-o convosco:

Não foi há muito tempo que abri o coração para este sentimento agitado da emoção. Sempre me agarrei à razão. Aquela que desde cedo me fez seguir e me dava a garantia da precisão. Do pensamento organizado e da sucessão de dias a fio, em que caminhava por um caminho cheio de desafios. Sempre muito controlados. Mas que me faziam ruir de tensão.

Mas a vida, tem coisas destas, trata de nos ensinar os caminhos por onde seguir e de nos apresentar aqueles, que têm a missão e a chave mágica, para nos abrir o coração.

Para alguém habituado a lidar com a razão, a emoção é algo que se tranca a sete chaves no coração. Soltar esta realidade, é algo tão difícil que nos atira durante meses para o chão.

Lembro-me como se fosse hoje de uma aula de música partilhada, em que tive a certeza que a emoção queria ocupar (à força) o lugar da razão.

No meio de uma música que teimava em não sair, alguém me chamou – “Agora deito-me no teu colo. Agarras-me como puderes. Serei apenas um corpo morto nos teus braços. Sente o momento e solta tudo o que tens lá dentro. Mas por favor canta com emoção.”

Não aguentei e as forças da razão fugiram. Deram lugar a um “rol” de sentimentos, temperados pelo sal das lágrimas que me escorriam em catadupa. Só me queria controlar, só me queria conter. A vergonha teimava em aparecer. Os meus olhos não estavam habituados a isto – à incontrolável suave dor que nos solta e volta a fazer valer, cada batimento do coração – a emoção.

É esta emoção, agora de mão dada com a razão, que desde então me tem ajudado a crescer e a compreender este fantástico mundo da diversidade (num todo) como tem de ser – com o coração!

A Mãe da Maria (Ana Rebelo)

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