Crianças não aceitam limites desnecessários

Julho 25, 2015

“…Crianças não aceitam limites desnecessários. Nós também não deveríamos aceitar.” (Anthony Lake)

Existe alguma criança que não sonha em ser considerada e ter os seus dotes ou talentos reconhecidos? Não. Todas as crianças têm esperanças e sonhos – inclusive crianças com deficiência. E todas as crianças merecem uma oportunidade justa de transformar os seus sonhos em realidade.

No entanto, para um número imenso de crianças com deficiência, a oportunidade de participar simplesmente não existe. Com enorme frequência, crianças com deficiência estão entre as últimas a receber recursos e serviços, principalmente nos locais onde tais recursos e serviços já são escassos. Com enorme constância, são objeto simplesmente de pena ou, ainda pior, de discriminação e abusos.

As privações que as crianças e adolescentes com deficiência enfrentam constituem violações dos seus direitos e do princípio de equidade, que trazem implícita uma preocupação com a dignidade e os direitos de todas as crianças – inclusive os membros mais vulneráveis e marginalizados da sociedade.

Como está documentado (…), a inclusão de crianças com deficiência na sociedade é possível – mas exige primeiro uma mudança de percepção, um reconhecimento de que crianças com deficiência têm os mesmos direitos de todas as outras; de que essas crianças podem ser agentes de mudança e de autodeterminação, e não meros beneficiários de caridade; que suas vozes devem ser ouvidas e merecem atenção na elaboração de políticas e programas.

Nós contribuímos para sua exclusão quando não conseguimos reunir dados suficientes para subsidiar as nossas decisões. Quando ignoramos essas crianças, deixamos de ajudá-las a ser consideradas em todos os aspectos da sua sociedade.(…)

Em algum lugar, alguém está dizendo a um menino que ele não pode brincar porque não consegue andar; a uma menina que ela não pode aprender porque não consegue enxergar. Esse menino merece uma oportunidade para brincar. E todos nós ganhamos quando essa menina, e todas as crianças, conseguem ler, aprender e contribuir.

O caminho a percorrer será desafiador. Mas crianças não aceitam limites desnecessários. Nós também não deveríamos aceitar.

Por Anthony Lake – Diretor Executivo da UNICEF | Situação mundial da Infância

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