As 10 coisas que não deve dizer à mãe de uma criança deficiente

Setembro 27, 2017
unnamed-6

Hoje enquanto lia sobre inclusão deparei-me com este artigo que achei excelente. Foi escrito por uma mãe de uma criança deficiente e nele resume as 10 coisas que não gosta que lhe digam.

Cá por casa estas questões estão ultrapassadas, mas como sabemos que há pessoas que ainda têm dificuldade em lidar com a deficiência e que até gostavam de o saber fazer, partilhamos aqui convosco:

1. “Coitadinho”

Nenhuma mãe quer que as pessoas sintam pena do seu filho. Ela quer que sintam carinho e consideração.

2. “A ‘doença’ do seu filho”

Cuide bem dos termos que usa. Deficiência é o termo correto. Usa-se, também, o termo Necessidades Especiais ou Criança Especial, jamais doente. A não ser que a criança, nessa altura, esteja mesmo doente.

3. “Sinto muito”

Não precisa sentir muito. Muitas mães são gratas pelos filhos especiais que têm, e não precisam que alguém lamente por elas. Para muitas é um período de aprendizagem e crescimento.

4. “Eu não saberia lidar com uma situação dessas”

Ainda que queira demonstrar sua grande admiração pela garra da mãe, não diga isso. Saiba que se você tivesse um filho deficiente, saberia lidar com ele, sim. Toda e qualquer, mãe tem potencial para dar tudo de si para melhorar a vida de um filho.

5. “Ele parece tão normal”

As mães de crianças com deficiência têm que lidar com os conceitos “normal” e “diferente” o tempo todo. Na verdade, na maioria das vezes são os outros que as lembram disso. No dia a dia é bem é comum elas esquecerem-se de que há diferença entre os seus filhos.

Ao mesmo tempo, elas sabem as características físicas, motoras e intelectuais deles. Elas não querem que eles pareçam “normais”, elas só querem que eles sejam felizes tal como são. Se pensarmos melhor, como definir o que é normal ou não? Usar óculos é normal?

6. “Nem percebi que ele tinha ‘alguma coisa’”

Não precisa disfarçar. A maioria das mães não se ofende quando as pessoas percebem a deficiência do filho. Mas podem ofender-se, se lhe mentir com o não ter percebido.

7. “Por que ele nasceu assim? De quem herdou a deficiência?”

É um campo perigoso de invadir. Muitas deficiências, acontecem por acidentes genéticos. Isto significa que qualquer casal poderá ter um filho deficiente. E ainda que houvesse uma herança genética, que diferença isso faz?

8. Usar  o nome “retardado” 

Para ofender, não precisa de usar este termo para se referir ao filho dela, basta usá-lo para se referir a qualquer pessoa, deficiente ou não. É um adjetivo ofensivo. Não o use. Na verdade, seria melhor se o eliminasse do seu vocabulário.

9. “Vai arriscar outro filho?”

Porque não? Bom, eu tive mais dois filhos ditos “normais”, que foram uma alegria na vida da Maria, e na minha.

10. Nada

Não dizer nada, não fazer perguntas soa como se a presença da criança não fizesse qualquer diferença, como se ela fosse invisível. Aposto que nenhuma mãe se ofenderia com perguntas educadas ou comentários gentis. Então, encontre algo positivo para falar.

Um conselho simples

Aja naturalmente. Sorria para a criança e para a mãe, pergunte o nome. Olhe para a criança. Não tente desviar o olhar. É muito estranho ver uma pessoa a esforçar-se para não olhar para o seu filho. Pior ainda é ver uma pessoa a olhar fixamente, como se nunca tivesse visto uma pessoa deficiente. Tudo o que é feito naturalmente e de boa vontade funciona bem!”

Texto adaptado www.familia.com.br

 

Também Poderá Gostar

12 Comentários

  • Responder Carla Cruz Outubro 16, 2015 em 11:48

    Olá Ana, sou a Carla, mãe do Vasco, do Simão e da Sofia. Acompanho a Maria e o blogue e hoje resolvi comentar porque este post me fez lembrar um outro que vi há anos num blogue brasileiro “Lagarta vira Pupa” (sobre o autismo) e que se chamava:

    10 coisas que seu filho “normal” vai aprender da convivência com crianças especiais
    1. Vai aprender a aceitar melhor qualquer tipo de diferença e vai se tornar uma pessoa menos preconceituosa;
    2. Vai aprender a se colocar no lugar do outro por conviver com um coleguinha que tem dificuldades que ele não possui;
    3. Vai aprender que comunicação vai muito além do falar : é feita de gestos, olhares e até de silêncios;
    4. Vai aprender que pessoas com necessidades especiais não são vítimas: são heróis, porque tornam as outras pessoas melhores;
    5. Vai aprender que a vida vale a pena apesar das dificuldades;
    6. Vai aprender que estamos aqui para ajudar uns ao outros;
    7. Vai aprender a ser flexível: não existe só um jeito de brincar, de desenhar, de ser;
    8. Vai aprender a lidar melhor com suas próprias limitações…e a querer superá-las;
    9. Vai aprender a dar valor às coisas pequenas;
    10. Vai aprender que ele não tem que saber o que fazer o tempo todo, mas que ele pode sempre aprender.

    E é isto!
    Foi isto que aprendemos com o Vasco e muito mais que não consigo traduzir ainda em palavras como gostaria.

    Um beijinho para a Maria e para os manos e pais,

    Carla Cruz

    • Responder Ana Rebelo Outubro 16, 2015 em 17:38

      Olá Carla, obrigada pelo seu comentário. Já tinha visto este texto e acho genial.Por acaso até já o partilhei aqui no Blog. Realmente aquilo que aprendemos com as crianças é extraordinário e não há palavras que o consigam descrever…mas acho que sei do que fala :).
      Muitos parabéns pela sua família e por favor vá deixando os seus testemunhos, pois este projeto é de todos, para todos. Um grande beijinho e até já.

      • Responder Maria Fernanda da Silva Sá Janeiro 30, 2018 em 16:49

        Devemos ter respeito, educação pois todos nós seres humanos estamos naface da terra para cuidarmos uns dos outros, Pelo menos assim entendo..

  • Responder Luísa Outubro 16, 2015 em 12:10

    Piadas/Anedotas com deficientes
    Num dos primeiros jantares de amigos de trabalho um pai e um filho (de 9 anos) contavam anedotas, entre uma e outra calhou uma sobre deficientes e/ou deficiências, eu tendo uma irmã deficiente e lidando com tantos comportamentos idiotas, ignorantes etc (para não dizer pior) durante toda a vida (já lá vão 40..) não reagi, ignorei mas fiquei claro bastante “incomodada”… o meu marido subtilmente no dia seguinte comentou com o colega de trabalho, sentiram-se bastante mal e ligaram-me a pedir desculpa, apesar de saber que não foi por mal as pessoas continuam a cometer erros destes, a situação foi ultrapassada mas nunca se esquece, porque dói… dói todos os dias quando se tem alguém próximo…

    • Responder Ana Rebelo Outubro 16, 2015 em 17:42

      Olá Luisa, pois é as pessoas não aprenderam como lidar com a diferença e depois não sabem como agir. Mas fez bem e os intervenientes se calhar aprenderam alguma coisa. Obrigada pelo seu comentário. Um grande beijinho e vamos falando

  • Responder ana fontes Março 13, 2016 em 12:14

    Tinha 28 anos quando comecei a trabalhar com criançada com n.e.e. (chamvam-lhes ,então , deficientes ). Estou a rasar os 64 e o meu trabalho continua a ser o mesmo . Sempre me questionei : “e se fosse eu a mãe ? ” Sou mãe de duas filhas adultas ,que amo ,respeito ..Sou prof.de alunos que amo e respeito . Ninguém nasce Mãe nem prof….. Mas aprende-se e gosta-se ! Também aprendi a exigir…. Principalmente ,RESPEITO. Também aprendi a ensinar RESPEITO ……com paciência e muito HUMOR !… E AMOR !

  • Responder Ana Março 14, 2016 em 17:39

    Ando a escolher uma escola para o meu filho e uma das coisas que me tem atraído bastante é, precisamente, a capacidade que as escolas têm (ou não, tantas vezes), para lidar com crianças com necessidades educativas especiais. Ainda hoje vi uma directora de gatas no chão a brincar com um menino e pensei “isto é que é exemplo para o meu filho”. E era um assunto no qual jamais tinha pensado.
    Muita saúde e felicidade para toda a família, é o que lhe desejo.

    • Responder Sonia Santos Agosto 21, 2018 em 10:43

      Bom dia Ana!
      A minha filha esteve na creche da APCL de Odivelas, desde os 4 meses até aos 3 anos. E digo-lhe uma coisa, foi ótimo o período que lá esteve, porque no dia-a-dia lidava com os residentes com deficiência física, motora e psicológica, e nunca os viu com outros olhos.
      E o que mais me deixou orgulhosa, foi ler na última avaliação do ano, que a minha filha lida muito bem com a “diferença”.
      Foi uma experiência incrível tê-la na APCL esses anos. Só é pena a instituição não ter espaço para dar continuidade dos pequeninos até os 6 anos.
      Por isso Ana, se tiver a oportunidade de por seu filho/filha nalguma escola que tenha crianças especiais, não exite. Será enriquecedor.
      Bjinhos

      • Responder Ana Rebelo Agosto 21, 2018 em 21:35

        Olá Sónia,

        Os meus filhos, para além de terem a vivência da irmã deficiente desde que nasceram, estão e estiveram sempre em escolas que fazem inclusão. É mesmo essa a nossa luta por aqui. Não queremos escolas especificas mas sim inclusivas. E concordo consigo, todas as crianças que têm esta experiência crescem mais felizes e descomplicadas. Beijinhos

  • Responder ERICA PINA MALCHER Setembro 18, 2017 em 16:23

    ola! boa tarde tenho bb q nasceu com uma pequena deficiência no dedo e gostaria de saber como lidar com as perguntas de crianças e adultos, pelo que observe as crianças q nascem perfeitas aos olhos dos homens não aceitam o outro da forma que é e isso e um constrangimento q me afeta bastante, são perguntas assim porque nasceu assim, outro dia dois garotinhos de aproximadamente 5 anos pegavam no dedo dele e diziam olhar e davam gargalhada, eu como mãe fico sentida e ao mesmo tempo tento entender, mas o que observo que as mãe não ensinam os filhos a aceitarem as pessoas diferentes, repito como são perfeitas aos olhos do homem acham que o outro tem por obrigação ser perfeito,

  • Responder Gêisa Lopes Novembro 10, 2017 em 05:20

    Sou mãe de uma criança com paralisia cerebral. Leio alguns artigos e sempre tem uma coisa que me incomoda bastante nos relatos, que é o fato de alguns pais/mães dizerem que tem orgulho de ter o filho deficiente, a palavra “especial”também me incomoda porque tudo isso soa falso. Não estou afirmando que seja, pois alguns devem sentir isso mesmo. Mas eu não vejo como se ter orgulho em ter um filho deficiente. Eu acho um fardo terrivel e não me sinto abençoado por ter sido “escolhida” pra criar um anjo enviado por Deus. Acho hipocrisia. Sinto sim, orgulho das conquistas dele, amo muito meu filho, curto muito ele, mas não vejo ele como especial pela condição dele. Especial remete ideia de coisa boa, e ser deficiente não é bom. Considerar isso uma benção divina é considerar que Deus é um ser sarcástico. As pessoas gostam de se enganar. Falar a verdade choca, mas acho que é preciso.

    • Responder Ana Rebelo Novembro 12, 2017 em 22:17

      Querida Gêlisa, ser deficiente ou não faz parte da condição humana. Tenho um enorme orgulho nos meus 3 filhos e vejo-os aos 3 como especiais. Se me perguntar se tivesse opção de escolha, escolheria para a minha filha ser deficiente – é claro que não o faria. Mas ela é e tenho um orgulho enorme nela. Pela força, persistência, alegria e forma de estar na vida. Para ela não há tristezas e isso é verdadeiramente inspirador. Não sei se fui escolhida (ou não) por Deus…mas partilhei aqui este texto porque o achei extremamente bonito e inspirador, principalmente para quem apenas vê o lado duro da vida e esquece-se que o milagre de tudo isto é estarmos vivos. Um grande beijinho para si e para o seu filho.

    Deixar Comentário