Apanha

Março 21, 2016

De dia para dia a “lata” da Maria aumenta. Todos sabemos que as crianças imitam aquilo que dizemos e fazemos e a Maria não é excepção. Para além de imitar as palavras, imita na perfeição a entoação que damos a cada uma das expressões.

Ultimamente tem andado com uma vontade enorme de desarrumar. Por onde passa, deixa a sua marca. Em segundos consegue virar do avesso uma divisão da casa.  É claro que passamos o dia a chamá-la à atenção:

– Oh Maria, quem desarruma, arruma!

– Maria já está tudo no chão? Agora apanha!

Na sua inocência começa sempre a arrumar mas, mal viramos a cara, esquece-se e temos de a relembrar. Portanto a palavra “apanha” tem sido muito utilizada cá por casa.

Ontem, ao inicio da noite, enquanto escrevia veio ter comigo. Aproximou-se devagarinho com um papel na mão. Como não desviei a atenção, ela atirou o papel para o chão.

Continuei a ignorar, para tentar acabar o que estava a fazer. Ela que não gosta de ser ignorada, tocou na minha perna olhou para o papel e disse com um ar malandro:

– Apanha!

Olhei sorri e ignorei. A Maria (tal como eu faria) voltou a repetir, mas já com um tom mais sério:

– APANHA!

Fiquei a olhar para ela e a pensar no que haveria de fazer. Como todas as crianças aprendem por imitação, não tive outra hipótese se não acatar a ordem. Baixei-me apanhei o papel e dei-lho para a mão. A Maria feliz, olhou-me nos olhos e disse:

– Muito bemmmmm!

Não dá para aguentar esta miúda! A entoação foi tão igual à minha que parecia estar a ouvir o meu próprio “eco”. Mural da história, virei “pau mandado”.

A Mãe da Maria (Ana Rebelo)

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1 Comentário

  • Responder Artur Estrela Março 22, 2016 em 13:30

    Lindo dialogo e bastante positivo.

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