Ajudamos e temos também de aceitar ser ajudados

Janeiro 15, 2016

O meu irmão do coração, foi operado ao joelho, estando agora com mobilidade reduzida e ele que sempre fora tão independente, viu-se de um dia para o outro com a vida virada do avesso e os planos a terem de ser alterados.

Quase todos nós temos um caso assim na família, algum problema de saúde que do nada nos transforma. Como já aqui disse vezes sem conta, estamos todos sujeitos ao mesmo e é por isso que devemos ser mais versáteis nisto de viver. Não só versáteis, mas com mais consciência de modo a que relativizemos os problemas dos que são realmente, e os que não passam de armadilhas da nossa mente.

Continuando… Ontem quando combinei com o Manuel para vir cá a casa ele disse que não se sentia bem porque era um FARDO. Caiu-me tudo em cima, quando li essa palavra. A confiança que temos um no outro é abismal, como é que ele dispara essa palavra? FARDO? Para mim?

Eu que há anos quando o conheci, fui de olho tapado cheia de pontos e tive de pedir ajuda para descer as escadas? E fui e vim feliz! E ele agora sai-se com isto?

Houve qualquer coisa que me falhou na mensagem que diariamente tento passar. Eu sei que é difícil estar dependente de outros, eu sei que é difícil pedir e virar rotinas dos que estão ao nosso lado. Mas é ai que reside a inclusão no mundo, nós incluímos e temos também de deixar ser incluídos. Ajudamos e temos também de aceitar ser ajudados.

Entra aqui humildade e generosidade. Que são duas coisas muito importantes e que às vezes estão em falta, mas são indispensáveis para uma vida com sentido, propósito e acima de tudo, humanismo. Que afinal é disso que o mundo se queixa, não é?

Nita Domingos

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