A redação do Tomás

Novembro 20, 2016

Há uns dias, a professora de português do Tomás mandou um TPC: fazer uma redação sobre um dos momentos mais marcantes da vida dele. O Tomás fez a redação e deu-me para ler. E qual não é o meu espanto que o tema era a Maria. Realmente, por muito que estejamos atentos, não sabemos o quanto alguns momentos marcam os nossos filhos. Ora leiam:

“Estava um linda manhã, parecia mais uma manhã de verão do que de Outubro. Acordei, fui tomar banho, desci, dei um beijinho a Nita e fui comer. Enquanto comia, mandava mensagens à minha mãe para saber como tinha corrido a operação da Maria. Dei outro beijinho à Nita, peguei nas coisas e fui para a escola. O dia na escola, não foi o melhor. Estive sempre a pensar na pequenina. E juro que só me tranquilizei quando recebi a resposta às minhas mensagens a dizer que tinha corrido tudo bem. Quando o dia acabou, “regressei à base” e a primeira pergunta que fiz foi:

– Posso ir ver a “Mimocas”?

– Não, a Maria ainda não pode receber visitas. Eu só vou lá para estar um bocado com a mãe. – Foi a resposta do meu pai.

Confesso que, nesse momento, fiquei triste, mas até compreendi.

Fui para casa, jantei e nunca, nunca parei de pensar na minha pequenina. No dia seguinte, acordei, tomei o pequeno-almoço, voltei a perguntar pela Maria e o pai respondeu que estava melhor. Voltei à  escola, mas confesso que até saber que a Maria estava em casa, não parei de pensar nela. À hora de almoço finalmente recebi um telefonema da mãe a dizer que a Maria já estava em casa, aí soltei um sorriso e fui logo “ fazer das minhas”.

Ao final do dia, chegou a tão esperada hora, aquela que me fazia tremer só de pensar. Foi o pensar neste momento que me deu força para comer, para andar, para fazer tudo. Sei que foram só 3 dias, mas foi tão intenso, que pareceram 3 anos.

Mal cheguei a casa, já lá tinha amigos, avós, tios. Só me lembro de largar tudo e correr para ela, sentir aqueles dedos pequeninos a fazer-me festinhas até me arrepiou, ouvir aquele riso até me corou.

Foi um dos momentos mais marcantes da minha vida. Sei que já vivi algumas vezes esta situação, mas está foi diferente, pois tinha todos a ajudar-me. Na noite em que a Maria foi para o hospital, a mãe pediu à grande Nita que eu fosse lá dormir, para me distrair. Durante os outros dias, tive sempre comigo os meus grandes amigos, a Joana, a Mariana, o Diogo e o grande tio Ricardo, a quem agradeço por me terem ajudado a passar por isto.

É assim, é o amor, é o que a Maria me faz sentir- o abraço dela e o seu sorriso- o melhor deste mundo!”

O irmão da Maria (Tomás Rebelo Pires)

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2 Comentários

  • Responder Fernanda Novembro 21, 2016 em 14:39

    Que espetáculo de irmão é tão bom ler estas linhas.
    Parabéns pela sua família.

  • Responder Maria José Mota Campos Novembro 22, 2016 em 02:29

    Tomás estou emocionada com a tua redação. É linda de morrer.
    No decorrer da leitura também fui ficando ansiosa tal como tu quando descrevias que só ficastes calmo quando a mãe Ana respondeu às tuas mensagens dizendo que tinha corrido tudo bem com a tua mana Maria.
    Parabéns pela tua família e amigos fantásticos que tens o privilégio de ter.

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