A mãe? A Ana?

Março 10, 2016

Quando chegamos de viagem há sempre milhares de histórias para ouvir e contar. Longe estamos condicionados às comunicações curtas e acabamos por falar apenas sobre o essencial.

Mas as famílias não vivem de comunicação essencial. Vivem sim de um rol de conversas de momento, trocas de experiências e histórias do dia a dia, que têm obrigatoriamente de ser partilhadas.

Por aqui é assim e se todos os dias já nos atropelamos para conseguirmos pôr a “vida em dia”, quatro dias dá-nos tema para horas de conversa.

A Matilde e o Tomás tentam contar tudo de uma só vez. Escolhem sempre, em primeiro lugar, o que os marcou mais. Depois, sempre que passam por mim, lá debitam mais uma ou outra história que na partilha inicial se tinham esquecido.

Já a Maria, como não o consegue fazer, tem os seus “porta-vozes”. Não costumo perguntar nada para não os estar a massacrar, mas eles gostam de me manter a par de tudo e fazem-no na perfeição!

Desta vez a Maria, resolveu passar os dias a perguntar por mim. Não deve ter compreendido a minha ausência e como queria que alguém a esclarecesse não desistia:

– A mãe?

A resposta era sempre a mesma:

– A mãe não está, foi viajar.

Ouvia e lá seguia a sua vida. Não contente com a resposta, daí a pouco voltava à pergunta já com outro tom e forma:

– A Ana?

É claro que todos se riam desta insistência da Maria. Será que estava desconfiada?

Isso é uma pergunta que ficará sem resposta…só sei que quando me viu, correu para mim, saltou-me para os braços e gritou bem alto:

– A mãe Ana! A mãe Ana!

Esta Maria é mesmo uma delicia!

A Mãe da Maria (Ana Rebelo)

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