A Ana (Parte 1) – por Verónica Carvalho

Maio 10, 2018
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Foi num dia cheio de Sol e as Mães estavam de vestidos e cabelos esvoaçantes. Naquela esplanada, não se conheciam mas não fazia mal: ambas tinham as suas Marias e ambas tinham mais noites sem dormir e as mesmas estrelas por contar. (As mães são assim: andam sempre de mãos dadas, seja qual for o País de origem, País esse das maravilhas-de-pernas-para-o-ar).

E depois foi feita a real magia: à Mãe pequenina, que não questionava e a quem já tinha sido delineado o caminho correto e pouco radioso, foram feitas muitas perguntas pela Mãe Grande…e os pés da Mãe pequenina começaram a assentar no chão, pouco a pouco. De tão pequena, ficou tão assustada. Tinha-lhe sido sempre dito, por quem de direito, que o caminho para a sua filha deficiente era sempre em frente por não existir outro sequer. Mas quem de direito, no fim do dia, ia para sua casa, sem deficiência alguma. A Mãe Grande, pausadamente falava e questionava, mas sorria sempre. Sempre! Como podia ela sorrir? Era simples: desde o inicio que lhe tinham negado o que ainda hoje ela tinha no seu colo: a sua Maria! Nada de maior força é dada a uma Mãe como a incógnita perante o seu Filho! Essa força é inesgotável e está sempre pendurada nos lábios, palavras e sorrisos de uma Mãe, seja ela de que tamanho for.

A conversa continuou já em luto encapuçado e a Mãe Grande apercebeu-se da mesma aflição pela qual já tinha e tem passado e, sabiamente, evocou que os tempos de luta se avizinhavam. Que seja!

Outros tantos já mo tinham dito, tantos outros, de perto e de longe, mas a Mãe Grande, a Ana…a Ana deu-me a mão!

Verónica Carvalho (A mãe da Maria pequenina)

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