8 coisas que não deve dizer aos pais de crianças deficientes

Dezembro 4, 2015

As pessoas não fazem por mal. Não fomos ensinados a agir perante a diferença. Por isso é muito normal que, muitas vezes, não saibamos o que dizer em determinadas situações. Em toda família, amigos e até mesmo com estranhos que se aproximam de pais de crianças com deficiência, há palavras e frases que podem ser evitadas. Palavras que, mesmo sem intenção, por vezes magoam, aqueles que estão mais sensíveis.

Para tentar ajudar, os pais que não têm coragem de responder (quando não gostam de ouvir) e aqueles que querem saber qual a melhor forma de ajudar, traduzi uma lista com os “Não diga e Diga” feita por uma mãe de duas crianças deficientes. Tenho a certeza que vão ter algumas surpresas.

Não diga: “Tudo acontece pelo melhor” ou “Crianças especiais só são dadas a pais especiais”. Por favor, não usem clichês. Declarações como estas parecem minimizar a experiência de um pai, pois, implica que ele tenha de ser capaz de lidar bem com a situação… e nem sempre é assim.

Diga:  “Existe alguma coisa que eu possa fazer para ajudar?”  ou “Estou aqui para o que precisares”  Às vezes, os pais só precisam de desabafar. É bom ter amigos com quem partilhar os sentimentos.

Não diga: “Eu sei exatamente o que estás a passar. O meu primo tem um amigo cujo vizinho da irmã tem um filho deficiente. ” É da natureza humana, para tentar mostrar empatia com a família , mas não é correto dizer que você sabe “exatamente” o que os pais estão a passar, se não tem uma criança deficiente.

Diga:  “Não sei o que estás passar, mas estou aqui para o que precisares.” Reconhecer a lacuna no conhecimento e oferecer ajuda sincera, é um sistema de apoio muito melhor para os pais.

Não diga: “Por que é que não tentas a nova terapia ou tratamento que vi na internet ou na revista” Por favor, não ofereçam conselhos não solicitados, especialmente se for na forma de uma nova moda ou um tratamento não testado. Os pais geralmente entram em “sobrecarga de investigação”,  tentando definir, através de uma infinidade de tratamentos, o que é certo para seu filho.

Diga: “Eu tenho feito algumas pesquisas sobre esta nova terapia ou tratamento e se quiseres, posso mostrar-te.”  Assim  dá ao pai a opção de ouvir ou não sobre o que descobriu.

Não diga: “Não achas que ele já tem terapias suficientes? Basta deixá-lo crescer “ou” Apenas aceitá-lo do jeito que ele é.” Os pais aceitam os seus filhos com deficiência como eles são, mas como quaisquer pais , querem dar aos seus filhos todas as oportunidades que poderem, o que muitas vezes se traduz em intensivos regimes de terapias.

Diga: “Que tipo de terapias está a fazer?” Ou “Qual é a escola da sua filha?” Tenha cuidado para não oferecer conselhos não solicitados sobre tratamentos ou escolhas educativas que têm sido feitas, ou ser excessivamente curioso. Leve as suas sugestões com cautela.

Não diga: “Presisas de arranjar um tempo para ti. Precisas mesmo de relaxar.” A vida pode ser incrivelmente esmagadora, em alturas criticas de saúde, ou aceitação. A última coisa que os pais querem ouvir é que precisam de um tempo para ir à pedicure.

Diga: “Se alguma vez sentires necessidade de ter um tempo para ti, eu fico muito feliz em ajudar.”

Não diga: “Como vai o vosso casamento? Ouvi dizer que a taxa de divórcio é superior a 90 por cento nos pais de crianças com deficiência “. Ficariam surpresos com a quantidade de pessoas que gostam de citar esta estatística, mas isto adianta?

Diga:  “Posso ficar a tomar conta dela, para ires jantar com o teu marido?”  Muito melhor.

Não diga:  “O que causou a deficiência?”  O que é que isso interessa? Para além de não se poder fazer nada, a maioria das vezes, os pais não sabem.

Diga: Nada! 

Não diga: “Eu não sei como tu consegues” Sabemos que muita gente diz isto como um elogio, mas os pais têm escolha? Conseguem porque têm de conseguir! Lembrem-se sempre que pode acontecer a qualquer um e a qualquer momento.

A Mãe da Maria (Ana Rebelo)

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13 Comentários

  • Responder Marta Ferreira (a pele que habito) Dezembro 4, 2015 em 10:14

    Adorei esta publicação!
    As pessoas não fazem mesmo por mal. E embora tente evitar muitos desses chavões, dou por mim a pensar e dizer muitos deles ao querer “quebrar o gelo” ou tentar ser simpática. Obrigada 🙂 Levo daqui uma lição para a vida 🙂

    http://apelequehabitoblog.blogspot.pt/

  • Responder Mónica Bastos Dezembro 4, 2015 em 16:52

    Gostei muito e aprendi muito com esta publicação……A sempre coisas a aprender !!!!

  • Responder ana Costa Dezembro 5, 2015 em 00:16

    Obrigada! Às vezes magoamos e nem vemos como estamos a fazer mal!

  • Responder Carolina Dezembro 5, 2015 em 11:56

    Olá Ana, parabéns pelo belo blog e pelo projeto! E também pelos 3 lindos filhos! Sou médica oftalmologista pediátrica, e atendo muitas crianças com necessidades especiais. Saber oferecer a palavra de conforto é uma habilidade que vamos sempre ter o que aprender ao longo da vida, até porque cada família tem sua característica particular. Um grande abraço!

  • Responder Ana João Lourenço Maio 26, 2016 em 12:49

    Só… parabéns pelas palavras, pelo seu conteúdo.

  • Responder janett Julho 7, 2016 em 13:18

    Ola Ana. So Mae da Winner MAria que tem ADPM. Vivo em Africa, Mocambique….oiço com cada besteira devido a nossa cultura e ignorancia. Enfim
    Mas eu luto pela Winner, a minha linda filha que Deus me deu!

  • Responder Perla Setembro 30, 2016 em 17:41

    Olá Ana…matéria muito esclarecedora e necessária. Já me vi na situação de não saber o que dizer para alguns pais que tem filhos com necessidades especiais…me senti tão boba….rsrsrs…mas de imediato pensei na empatia, acho que saber se colocar no lugar do outro é imprescindível nesse momento.

  • Responder Maria José Mota Campos Outubro 9, 2016 em 13:56

    Olá Ana. Concordo plenamente consigo e todos ou quase todos os ensinamentos eu já os ponho em prática, porque tenho noção que faz sofrer, dizer, (e não é por mal), opinar pensando ser conforto e ser o oposto.
    Partilhei os meus contatos todos e outros, porque é sempre bom, mesmo para quem já sabe fazer uma reciclagem .
    Um bom domingo para todos.

  • Responder Joana Rita Matos de Oliveira Outubro 9, 2016 em 19:07

    Um abre olhos à sociedade acerca do tema de pessoas portadoras de deficiência e aos seus cuidadores! É assim que se vão mudando mentalidades e moldado-as à realidade actual! O seu texto vale mais que ouro. Grata por o ter lido! Obrigada do fundo do coração*

  • Responder Raquel Mendes Outubro 9, 2016 em 21:15

    Obrigada pela partilha. Enquanto filha de pai com deficiência, o que mais me custa ouvir é o “coitadinho”. Este termo é da maior hipocrisia. É usado para demonstrar tristeza pela condição, pena da pessoa, empatia e até condescendência quando ele diz algo engraçado ou demonstra ser relativamente autónomo. No meio da gargalhada ou do sorriso de orgulho lá sai o ” coitadinho”… Nervos!

  • Responder Manuela Guedes Outubro 9, 2016 em 21:44

    Quando não se saem com aquela do “temos de aceitar o que Deus nos manda”, como se pudesse ser Deus a mandar o mal da doença para bebés inocentes acabados de nascer…enfim…é um entre-linhas e u piscar de olhos a um “pseudo” castigo divinal para os pais, digno dos que pensam que as coisas só acontecem aos outros.
    Pior pior só mesmo repetidamente chamar de “especial”-essa arrepia 🙁 !
    Às vezes mais vale não dizer muito, sempre se acerta mais!

  • Responder eulalia cardoso Outubro 10, 2016 em 11:06

    simplesmente obrigada

  • Responder rafael gil Dezembro 30, 2016 em 13:31

    Olá BOM NOVO ANO para toda a Família,. Claro que as CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA==CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA… estão NATURALMENTE INCLUÍDAS! Abraço. RGil

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